quase 12 anos pela
Societá Italiana, afinal o pai da minha melhor amiga era diretor dela, e
como já havia explicado sempre fui tratada como filha (acho que por isso,
abusaram de mim).
Eu conhecia mais a
família de ambos os lados, mas a família da noiva, tirando os pais dela
não conheciam nem a mãe do noivo (vai vendo o comecinho da
confusão).
Se um italiano já fala e gesticula
pra caramba, imaginem centenas deles?
Eu tinha que ser
intérprete o tempo todo (o lado do noivo,não entendia patavinas).
Podia xingar a vontade e
eles ainda riam.
A mãe do noivo não saía
de meu lado e eu tentando apresentá-la as tias da
noiva.
Mas a Tia Concheta (essa
era de lascar, não deixava nunca ninguém falar), antes que eu abrisse a
boca para apresentar, ela vira e diz na lata:
- Ma que me parla a
Sra (ela tentando falar português era uma mistura
disgramada)?
Justo para a mãe do noivo
ela diz, esse vai se dar bene, ma que gorpe do baú esse
pobretone aplicou.
Ai DIO mio, eu vi
tudo girar e juro que não tinha bebido nada ainda.
Eu tentava remediar e de
leve ela cutucar para que parasse, mas não, ela queria justo da mãe do
noivo a confirmação.
Não preciso falar da cara
dela, né? Me olhava como quem diz (essa vou matar e vai ser pra
já).
E eu mudando de assunto,
dizia, tia a tua sobrinha tá linda, deixa eu (ela não deixava eu
continuar e mais pau metia no noivo)...
Não agüentando mais,
gritei... afinal ninguém ia reparar, tava todo mundo falando alto mesmo no
salão. Pára tia, essa é a mãe do
noivo, owwwwww!
Gente, essa cena sim, merecia uma
bela fotografia!
Jamais havia visto tia
Concheta gaguejar e ainda sobrou pra mim, pode?
Ma perche tu no
me parlaste logo, porca pipa e tentando se desculpar (a mãe dele não
tava muito afim não).
Eu levei na esportiva e
dizia rindo (ow suadouro passei). Não ligue, a tia é muito
divertida, ela tava só zuando, ela vivia brincando com seu filho
disso.
E tia ainda me
fala... owww tá doida? Io nunca parlei com ele, tô conhecendo
hoje (olha a inocência), que vontade me deu de falar um baita
palavrão.
Falei em italiano a ela
que era desculpa que eu estava dando e que ela saísse dali
rapidinho.
A mãe do noivo (graças a
Deus, não entendia nada de italiano) queria a todo custo saber o que
estava eu falando.
E eu só dizia , niente ,
niente.
Ops, desculpe, nada, nada, agarrei a
tia e a arranquei dali.
Pedi que tomasse cuidado
e que avisasse o resto quem era a mãe do coitado (putz, nunca vi ninguém,
ser tão xingado).
Pedi ajuda ao meu
par...drinho e para quê? Quando contei do fora que a própria mãe dele deu,
o cara se dobrou em dois, pensei até que ia ter um treco, ria tanto e dizia
ainda, deixa quieto, isso tá engraçado demais, já xinguei mais de cinco da
família dele e ainda me agradeceram! kkkkkkk
Aisssss, eu agarrei ele
pela gravata (aquelas que tem elástico) puxei bem longe e soltei (foi bem
na cara dele). Olha aqui, é tua prima, trate de me ajudar ou muito mais
coisas em você vai doer!
Calma, já avacalhamos o
casório mesmo, deixa pegar fogo a festa também, toma aqui um whisky e
relaxa. Um? Tomei logo três,
mais zonza que eu tava não ia ficar mesma.
Me sentia peça de xadrez, tira
daqui, coloca ali, meu medo era a hora do xeque-mate!
Tanto que me chamavam
para apartar os rolos que iam se formando, garçons assustados (peguei
quatro bebendo, pode?) quando chamei a atenção deles, ainda me disseram,
desculpe, mas nem nós estamos nos entendendo, nos contrataram para cinco
horas, como vamos agüentar isso?
Vai ver o Maitre então,
afe eu só não falei mais nada, quem ia me ouvir no meio dessa
confusão?
No andar de cima tinha
uma toillete especial para a noiva, já tinham me avisado mais de dez vezes
que ela tava me chamando.
Consegui subir, e de ver
a alegria dela, valia tudo que tava passando.
Ela me abraçava e dizia
só obrigada por estar segurando as pontas, eu só dei uma idéia a ela que
aceitou na hora.
Se manda sem avisar
ninguém, a festa vai longe, vocês vão acabar se aborrecendo, teu agora
marido, é estourado e não vai valer a pena estragarem esse momento (não
via a hora que os dois desaparecessem, afinal eu só queria evitar
acidentes). Avisa ele lá então, pede
para subir que eu já estou me trocando.
E lá fui eu (mola
ambulante, arghhhhhh).
Eram tantas rodinhas de
gente rindo , falando alto, não dava nem para saber em qual delas era
brigando.
Em uma delas vi gente se
empurrando, epaaa, a coisa ali pegou, e lá estava justo ele a ponto de
socar um primo dela que estava pronto para o ataque.
Me meti no meio para
apartar e se não sou esperta e me abaixo, quase iam a mim
nocautear.
Acreditem ou não, ninguém
fazia nada, só riam com a situação.
Virei bolinha de ping-pong, empurra pra cá, empurra pra lá, se não fizesse o que fiz, ia virar
era um pião.
Passei a mão numa bandeja
e ameacei os dois já brava, quem vai ser o
primeiro?
Puxei o noivo dali e
pedia calma, afinal já tinha casado mesmo, que custava levar na
brincadeira, você já sabia disso tudo, justo agora vai
embaçar?
Olha Bell tô me
controlando, você sabe bem tudo que agüentei no namoro e noivado, mas que
família dela , que só se acha!
Epa, fala assim deles
não, tá certo que são exagerados, mas são como se fossem tios e primos meus
de verdade.
Caramba cara, você vivia
dizendo que um dia ia provar a todos que estavam se
enganando.
Eu sei, te agradeço por
tudo que está fazendo, sei que só você que está desde o começo nos
ajudando.
Então cara, vai lá pra
cima, pedi a ela que vocês fugissem sem dar satisfação, só sei que vai
embolar depois é pra cima de mim, filha única sem se despedir, minha
nossa, sairei viva daqui?
Que nada, eles te adoram,
sei que vai se sair bem e se não der, mande eles
para...
Ehhhhhhhhhh poparar, sem
malcriação, não é por aí não!
Ah tá, fui ofendido até
os talos, vi minha mãe nervosa, mas afinal só porque eles tem grana acham
que vou precisar deles?
(Aí já foi cara de pau
dele, o pai dela havia comprado e mobiliado o apê deles, e até carro, tá
certo que tudo no nome da filha, mas deu, né?)
Enfim consegui fazer os
dois saírem sem serem vistos, minha nossa, chorei tanto ao dar tchau, na
verdade não sei se era de alívio, ou pelo que eu esperava quando
descobrissem.
Consegui inventar mil
desculpas quando por eles perguntavam, até que não deu mais, a tia
mór (mãe dela) descobriu lá no andar de cima o bilhete que fiz ela
escrever de despedida para a mãe, explicando o porque havia saído sem ter
se despedido.
Mama miaaaaaaaaaa ela
desceu gritando, eu tampei os ouvidos e meu par...drinho só zoando, é hoje
que você vira picadinho.
Nossa filha se foi
(tadinha, ela chorava tanto) me diz me agarrando, você sabia filha
mia?
Eu? Eu não, mas ela me
conhecia bem, sabia quando eu mentia.
Fica calma depois
explico (até parece que ela não sabia) essa sim, era a única que sempre
gostara e respeitara o agora genro.
Uma santa mulher, mas que
marido ela tinha, até ela morria de medo dele. Só eu que encarava, oras
, se nem meu pai brigava comigo, ia aturar birra
dele?
Bom, quero e preciso
finalizar, impossível tudo tin tin por contar, vou só para os
finalmente.
Quando todo mundo soube
que os noivos não estavam mais lá, afeeeeee virou pastelão, ou seria
mercadão?
Virou guerra de frutas,
essa jamais eu esperava, coisa mais linda, abacaxis, melões, fatias de
melancia, pêras, maçãs, ao invés de bolas, pelo ar,
voando.
Mais lindo foi ver quando na cara
dos convidados, pegando!
Abaixa daqui, desguia
dali, fui parar atrás do barzinho bem agachadinha, um garçom também teve a
mesma idéia, ele ria e dizia, esse casamento jamais esquecerei, se eu
soubesse tinha trazido minha família.
Aikarakas, ainda tive que
ouvir isso, disse a ele, levanta aí, oww , veja se a guerra de frutas já
acabou.
Aí sim, quem desopilou
legal o fígado foi eu...
No que ele foi olhar,
tomou na cara uma melanciada e de contra peso pedaços de bolo (esse nem
sabia que tava no pastelão), credo não respeitaram nem o baita bolo de
enfeite, a cara dele melecada mal dava para ver os olhos e quanto mais ele
reclamava, mais ele levava.
Zoei legal da cara dele,
disse bem feito e fui saindo bem devagarinho pela porta lateral, vi meu
par...drinho totalmente enfrutado, sabia que estava me procurando, mas
fruta e bolada não ía levar mesma, nem essa... me faltava!